segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

cartas de um guerreiro II


Desnorteado me encontro na fonte central de uma cidade, não sei qual, mas me é familiar, ela já esta seca e suja, não há mais água já faz algum tempo, a única coisa que sai dela é um liquido negro e de aparência gosmenta e que fede a sangue e enxofre, mas mesmo assim as pessoas bebem desse liquido fétido e de textura asquerosa. Olho para os lados procurando por meu Deus, não o vejo em lugar nenhum, saio para descobrir onde estou e vejo um idoso derrubar suas compras, como um novo homem que eu era tentei ajuda-lo  porem ele me acusa de roubar suas frutas, e para minha surpresa eu conhecia aquele dialeto, era da cidade inimiga da que eu vivera, não suficientemente eu ser acusado injustamente, se forma uma multidão ao meu redor para me linchar. Corro como nunca tinha corrido antes, consigo fugir da multidão me escondendo no esgoto daquela cidade. Cidade desprezível nem sei por que estou nela.
A cidade de Hupnuoir era um lugar repugnante, pois não bastassem ser uma civilização completamente deturpada por sua religião que adorava os mortos, os sacerdotes sacrificavam suas crianças e virgens depois de um ritual em que molestavam e forçavam-nas a terem relações com seus deuses/demônios. E eu estou nessa cidade, nosso povo era inimigo deles por causa desses rituais macabros e desumanos. Não faço questão de ajudar eles.
Começo a me preocupar, pois estou num lugar em que me odeiam e querem me matar, estou só e sem armas e nem sei o motivo de tudo isso, decido fugir, mas enquanto procuro uma saída daquele esgoto encontro alguém que não esperava, ainda mais numa situação de fuga, o meu Deus. Ele fala como apenas Ele consegue falar, me confrontar e mesmo assim me sentir melhor. Depois desse momento exortação descubro o motivo de eu estar neste buraco/fim de mundo, tudo que eu tenho que fazer é alistar mais pessoas para o nosso exercito. Não consigo entender a lógica d’Ele, mas tudo bem.
Saio do esgoto e para minha sorte a multidão já se dissipou, comoço a andar pela cidade e vejo três  antigos colegas de guerra, de quando eu ainda era vivo. Como seria natural vou saudar eles, porem acontece algo que me fez parar, eles estão agredindo o ancião que me acusou de roubar suas frutas, como homem que sou, senti prazer naquela cena, porem me lembro dos ensinamentos do meu Mestre, e sobre a minha justiça que era torpe e enganosa, lembro sobre a minha verdadeira luta e sobre o que eu tinha que fazer naquela cidade. Neste momento entro em conflito comigo mesmo. Deveria ajudar quem? O acusador e meu inimigo, ou os antigos colegas que eram de índole má, porem eram meus amigos? A resposta era clara, mas não era a que eu queria.
Bato em disparada na direção daquela cena horrenda, puxo a espada da bainha do que estava segurando o velho, dou um giro e corto a cabeça do que socava o homem, o terceiro me segura e começam a me bater, maldição porque fui me meter, subitamente sou tomado por uma força descomunal me livro dos dois e quando estou me preparando para lutar novamente, eles vem correndo na minha direção, porem aquele velhaco se põe entre nós três e começa a sofrer algo como uma metamorfose, ele se transforma no meu Deus, como eu não descobri antes? Ele abre o chão diante deles, e finalmente a luta acaba com a terra engolindo eles vivos.
Sem entender nada do que estava acontecendo Ele me explica tudo, não era para eu procurar um novo guerreiro, mas encontrar o que havia em mim, era para eu ver que se necessário era para morrer por qualquer pessoa, gostando dela ou não, que era preciso ser um lutador alem das fronteiras e diferenças, aquele povo não era mal, mas sim cegos, pois ninguém nunca havia mostrado ou falado do Deus verdadeiro para eles, e por isso os demônios se apossaram daquele lugar, e que cada pessoa estava sendo cada vez mais segada e encantada cada vez que bebia da água que saia das fontes, água retirada dos sacrifícios. Era um teste e eu tinha passado apenas porque fui ajudado, mas nas próximas vezes os testes seriam mais difíceis.
A luta verdadeira não tinha começado, ainda, mas era bom eu já estar preparado!

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